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Ciência e Literatura

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

No dia 18 de Outubro realizou-se na BECRE um seminário, para apresentação das atividades do projeto "E o céu aqui tão perto /Diálogo entre Ciência e Literatura aos alunos do 10º2 e 10º6, seguido de um lanche temático (O Universo também se come..). 
Convidámos o Rui Bastos, que foi aluno da nossa escola e colaborador muito ativo do LCV e que agora está no IST no curso de Engenharia Biomédica, para apresentar uma comunicação sobre o tema do projeto.
O Rui fez uma excelente comunicação, que foi seguida com bastante interesse por todos os participantes e que a seguir transcrevemos.
Se quiserem espreitar o lanche:

 http://www.facebook.com/media/set/?set=a.365603490190657.87170.100002230263987&type=1

Ciência e Literatura

As diferenças entre a Ciência e a Literatura dificilmente podiam ser maiores. Se por um lado as Ciências exigem rigor, objectividade e o seguimento de regras exactas, as Letras são muito mais liberais, subjectivas e com uma certa tendência para o desprezo pelas regras. E no entanto são duas áreas que não só se misturam frequentemente, como o fazem facilmente, devido a uma série de pontos comuns que as ligam apesar das diferenças.
Por exemplo, de um lado temos a Matemática e do outro a Poesia. Duas coisas tão absurdamente diferentes que a maior parte das pessoas falha por completo em ver as semelhanças. Afinal, o que é que Euler e Gauss podem ter a ver com Pessoa e Poe? Aparentemente, nada. Mas qualquer professor de Matemática que se preze vos pode falar da beleza quase poética que a Matemática pode ter, assim como qualquer professor de Português vos pode atormentar com o rigor quase matemático que a Poesia pode ter.
Ou seja, não é complicado. Literatura e Ciência, Ciência e Literatura… Uma coisa não exclui a outra, antes pelo contrário. E há uma área em particular que é tão misteriosa e tão sublime que só um esforço conjunto destas duas áreas a pode entender minimamente. Falo da Astronomia. É impossível compreender o Universo sem fazer uso de uma Física extremamente complicada que escapa ao entendimento da maioria das pessoas, mas é também impossível descrever as maravilhas nele contidas sem ter que recorrer à subjectividade e criatividade específicas das Letras.
É complicado de perceber e de conceber que nós e tudo o que nos rodeia é constituído por elementos químicos que foram formados em vários tipos de reacções no coração de uma estrela, mas se a acompanhar isto se disser que “somos todos feitos de poeira estelar”, pouco mais é preciso dizer. Por outro lado, tentar explicar por palavras o que é um buraco negro ou o que é o infinito não é fácil, mas há equações que descrevem o primeiro e trabalha-se frequentemente com o segundo nos diversos ramos da Ciência.
Pessoalmente acho que é algo complicado de explicar, mas a Astronomia, para mim, é um exemplo perfeito da união e da complementaridade de ambas as áreas. Ainda para mais quando essa sintonia resulta num género literário como a Ficção Científica, do qual sou um aficionado e que já me providenciou das melhores leituras da minha vida. Livros como 2001 – Odisseia no Espaço, de Arthur C. Clarke, são para lá de geniais… Este em particular é uma verdadeira obra-prima da literatura, com algumas das melhores descrições do espaço que eu já li. A forma como o autor nos faz viajar por entre as estrelas, como se estivéssemos de facto a espreitar pela janela de uma nave espacial é divinal. E o livro tem um rigor científico fora do comum para uma obra de ficção.
Já para não falar de Júlio Verne e dos seus livros Da Terra à Lua e À Roda da Lua, com uma Ciência minimamente plausível e descrições espaciais, nomeadamente lunares, simplesmente fascinantes e perfeitas. E a quantidade de livros sobre os quais ainda podia falar torna ridícula a ideia de que a beleza não existe na Ciência, ou de que a Literatura é incapaz de captar a sua essência. Porque ambas as áreas não passam de duas faces da mesma moeda, ou de duas abordagens diferentes para fazer exactamente a mesma coisa: perceber o Mundo que nos rodeia.
Isto leva a que da mesma forma que posso dizer que há poucas coisas tão diferentes como a Literatura e a Ciência, posso também afirmar sem qualquer peso na consciência, que é ainda mais complicado encontrar duas coisas que sejam, ainda assim, tão semelhantes.

Rui Bastos

 

 

1 comentários:

Paula disse...

Parabéns ao Rui pelo texto que escreveu que revela não só o seu interesse pela ciência mas também o seu gosto em partilhá-lo com os outros.

E é muito bom ver que o LCV continua dinâmico e a manter os laços com os jovens que por lá passaram :-)

 
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